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quinta-feira, outubro 23

Seção TOP 5 - nº 4

TOP 5
Nº 4


5 MÚSICAS INTERNACIONAIS (NÃO-CLÁSSICAS E NÃO-JAZZ)


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DANIEL OLIVEIRA



1 - Girl from the North Country, Bob Dylan

Ao compor Girl from the North Country - em talvez três, quatro acordes -, Dylan, sem o perceber, sobe às nuvens, conversa com Deus e descobre que a natureza, a vida, o amor, tudo que há de belo no mundo, está abaixo dessa melodia criada por mãos e voz humanas.

2 - ...And she closed her eyes, Stina Nordenstam

Uma devoção incompreensível. Toda vez que preciso escrever um texto, estudar para a prova, rabiscar ficção, esquecer alguma desavença, torcer pelo Corinthians, enfim, quase tudo, eu ponho essa música de menos de 2 minutos para escutar.

3 - Perfect Day, Lou Reed

Nunca procurei entender o significado da letra desta música. E nem quero saber. Prefiro assim: abstrair apenas a expressão “perfect day” e me obrigar a colocá-la como música de acompanhamento sempre que imagino uma situação solene: formatura, carnaval, velório, ou o fim do mundo.

4 - The Bourgeois Dream of Some White Trash Kid, As the Poets Affirm

Tenho alguma ligação espiritual com o Canadá: sempre exagero muito mais do que o necessário as obras que de lá aprecio. Quando li Saul Bellow e descobri que ele nascera canadense, quase pensei: “ah, então está explicado”. Na música é pior ainda: só Deus sabe que argumentos utilizo para defender artistas como Leonard Cohen, The Arcade Fire ou As The Poets Affirm. Sendo assim, creio ser esta a única maneira de explicar a presença de The Bourgeois Dream of Some White Trash Kid neste TOP 5.

5 - Mr. Tambourine Man, Bob Dylan

Assisti um documentário e vi Dylan tocando tal música. O contexto, a postura e a imagem, entre outros, me fizeram acreditar que a grande música não é apenas o sensorial. Os gênios sabem disso; eles ultrapassam esse primeiro plano. Dylan ultrapassou mais um pouquinho.

RODRIGO L.


1 - Blackbird, The Beatles

Paul sempre teve tudo o que faltou a Lennon. O "tudo" a que me refiro é, naturalmente, Blackbird - composição na qual dificilmente se consegue depreender o que há de mais tocante: se os acordes iniciais, se os versos finais, se aqueles passarinhos assoviando pelo meio.

2 - Devil Got My Woman, Skip James

Apreciar um blues é como apreciar um soneto. E só com essa canção começo a percebê-lo - meu desinteresse e, mais, minha aversão ao estilo desaparecem a partir daqui.

3 - Tom Joad, Woody Guthrie

Diante da dificuldade de se fazer listas, usemos recursos desonestos: aqui estão Woody Guthrie e sua canção para que possam representar toda a tradição folk estadunidense.

4 - Volver, Carlos Gardel

Ter um tango favorito é questão de bom senso e decência. Volver, a maior dor da música platina, é o meu.

5 - I Walk the Line, Johnny Cash

O surpreendente poder das canções de Cash não se prende a um tema ou estilo: esteja matando homens em Reno ou fazendo promessas amorosas, sua música e sua voz preservam essa capacidade assustadora de devastar.

DAVI LARA


1 - Chan, Chan, Buena Vista Social Club

A impressão angustiante que fica ao escutar esta canção é que ela não começa nem tem fim. A sua representação visual seria uma espiral girando, sem sair do lugar, em volta de seu eixo. O registro dela, do modo como foi feito, é um acontecimento insólito. Eu, cá na minha intimidade, sempre arregalo os olhos diante do prodígio.

2 - A Day in a Life, The Beatles

Para representar o Beatles, sem que os ingleses ocupem, no mínimo, três das cinco vagas, A Day in a Life é perfeitamente conveniente. Por sua representatividade histórica, última faixa do revolucionário Sgt. Pepper's; pelo experimentalismo; pelo arranjo; canção composta, a rigor, pela hábil união de duas canções, a de John e a de Paul - Harrison que me perdoe. Por isso tudo... Mas a verdade é que quando a voz de John irrompe, pairando sobre o piano, as cordas, e a discreta e em constante ascensão bateria, não é difícil esquecer toda a obra dos Beatles.

3 - Good Vibration, Beach Boys

Todo o Smile está contido em Good Vibration. Sem ser minha predileta do lendário álbum que superaria o Sgt. Pepper´s (e, tardiamente, talvez o tenha feito), é, sem dúvida, a mais imponente.

4 - Oh What a World, Rufus Wainwright

O meu gosto, tal como o gosto geral e, portanto, fáceis e óbvias razões, apontavam para Cigarettes and Chocolat Milk. Porém, a grandiloqüência é coisa para poucos. Em Oh What a World, Rufos é gigante, farta-se em excessos, mas nada sobra.

5 - I’m calling you, Alguém

Não estou certo quanto ao nome dos intérpretes ou do(s) compositor(es). Na verdade, acabo de procurá-los, sem êxito, em um site de pesquisas. Bob Telson é o único nome confiável. Não tem problema, o que conta é a canção, premiada canção da trilha sonora de Bagdad Café (o tal do Bob Telson é o responsável pela trilha). Nunca gostei muito de canções em trilhas sonoras, preconceito bobo, mas preconceito meu, portanto, importante para mim. Depois de ver o citado filme, vejam vocês, ele me fisgou pela canção.

domingo, junho 22

Seção TOP 5 - nº 3

TOP 5
Nº 3


5 FILMES PREDILETOS

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EDER FERNANDES


1 - TOURO INDOMÁVEL(Raging Bull, EUA)
Só Deus sabe o quanto este filme me comove.

2 - APOCALYPSE NOW (Apocalypse Now, EUA)
O vi, salvo engano, cinco ou seis vezes. Pouco ainda.

3 - OITO E MEIO (8 ½, Itália)
Tipo de filme que é muito bom para não constar em minha lista.

4 - BLOWUP - DEPOIS DAQUELE BEIJO (Blowup, ITÁLIA/UK)
Um filme pedagógico. Bem ao estilo "para entender o cinema".

5 - TAXI DRIVER(Taxi Driver, EUA)

Assim como Raging Bull, sei algumas falas de cor. Assim como Raging Bull, o vi algumas dezenas de vezes. Obra inesgotável.

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DANIEL OLIVEIRA

1 - 2001: UMA ODISSÉIA NO ESPAÇO (2001: A Space Odissey, EUA)
Foram precisos 1968 anos da era cristã para se realizar esta obra. Provavelmente a criação de algo à altura só será pensável a partir do ano de 3936. Não estou reclamando.

2 - RASTROS DE ÓDIO (The Searchers, EUA)
Quando os sociólogos e antropólogos vierem lhe dizer que gênios não existem, você tem duas opções: ou você os faz escutar a 9ª de Beethoven, ou lhes mostra Rastros de Ódio, de John Ford.

3 - O PIANO(The Piano, AUSTRÁLIA/EUA)

Jô Soares, um cinqüentão, afirma ter assistido Cidadão Kane mais de 30 vezes. Sou bem mais jovem que Jô e só assisti a O Piano umas 13 vezes – pretendo chegar aos 100. A 1ª vez foi num longínquo trabalho de escola. A 2ª, vista numa fase menos apalermada, foi para alimentar a fome cinéfila. As outras 11 foram por causa de Holly Hunter. E as próximas 87 também serão.

4 - O HOMEM QUE COPIAVA (BRASIL)

O primeiro filme que eu admirei passionalmente de fato.

5 - A NOITE (La Notte, ITÁLIA)

Minha primeira grande experiência intelectualóide do audiovisual.


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DAVI LARA

1 - CONDENAÇÃO (Kárhozat, HUNGRIA)

A cena inicial sintetiza muito do que vem depois e é a minha cena predileta do cinema; a lassidão, a fumaça do cigarro, o preto em branco. Muito mais que o argumento propriamente dito, o distinto em Condenação é a sua atmosfera, opressora, daninha. O filme atinge o ápice nas cenas mais misteriosas como o confronto do homem com o cão ou o sapateador solitário e inadequado. Não sei dizer exatamente porque o primeiro lugar, mas nunca titubeei.

2 - AMOR À FLOR DA PELE (Fa yeung nin wa, HONG KONG)

Lembro-me da cena na qual os cabelos da moça voam enquanto corre uma escada acima com uma tigela de macarrão. Lembro-me do vapor que as panelas que cozinham o macarrão libaram quando destampadas. Lembro-me da estampa do papel de parede da casa da moça. Lembro-me também do ambiente monótono do apartamento vizinho. Lembro-me de inúmeros detalhes, de inúmeras sensações. O que me escapa à memória não desabilita uma das mais intensas experiências cinematográficas que tive. Ao contrário: ressalta sua importância.

3 - GRITOS E SUSSURROS (Viskningar och Rop, SUÉCIA)

Algum filme de Bergman teria que entrar em meu TOP 5. De acordo com minha preferência pela concisão e pela poesia, Gritos e Sussurros é a escolha inevitável.

4 - KRAMER VS KRAMER(Kramer Vs Kramer, EUA)

Este filme não entraria nesta lista se eu não o tivesse re-assistido por acaso há poucos dias. As atuações são impressionantes (destaque para Dustin Hoffman e Meryl Streep) e toda a delicadeza com que aborda o tema faz-nos penetrar no mundo alheio. Poucos filmes conseguiram grau tão elevado de sinceridade. Mesmo consciente da sua singeleza, é difícil ficar aparte. Talvez esta mesma simplicidade seja uma das características principais.

5 - 2001: UMA ODISSÉIA NO ESPAÇO (2001: A Space Odissey, EUA)

Todos que conhecem minhas preferências se espantarão com falta de Kurosawa ou de Lynch neste TOP 5. Assim como o envolvimento parcial com o quarto lugar foi preponderante, uma avaliação refletida não me deixa escolha quanto à quinta colocação. Impossível negligenciar a perfeição atingida por 2001.


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RODRIGO L.

1 - O PODEROSO CHEFÃO (The Godfather, EUA)

Coppola faz da máfia uma arte. Há qualquer coisa de Grécia, de Roma nas intrigas e reviravoltas dos Corleone - momento raro em que me permito a apreciação do pendor para o Gigante em películas. Talvez a continuação, de fato, seja superior (por ser mais ampla) - mas está nesta primeira fita todo um impacto que jamais poderá se repetir.

2 - OS INCOMPREENDIDOS (Les 400 Coups, FRANÇA)

Jules et Jim melhora a cada sessão que me imponho, mas, ainda que repetido infinitas vezes, jamais alcançará o nível de Os Incompreendidos - sei, apenas, que Doinel é o maior sofredor do cinema: ao fim da película, nem eu, que me compadeço de sua situação, consigo compreender o seu olhar perdido.

3 - TAXI DRIVER (Taxi Driver, EUA)

Um filme em que toda cena é pensada para ser clássica e, mais do que isso, perturbadora. A sordidez de NY e de Travis Bickler se encontram e travam duelos aos quais ninguém passa imune.

4 - A NOITE (La Notte, ITÁLIA)

O máximo de sobriedade na câmera. O máximo de inteligência e concisão nos diálogos. Como não bastasse, atua um trio do qual Antonioni consegue tirar também o máximo: Mastroianni, Moreau e Vitti encenam a mais contundente e elegante crise de relacionamento do cinema.

5 - OITO E MEIO (8 1/2, ITÁLIA)

Sobre a sua memória, Guido confronta, cheio de dor e ironia, a eterna e incontornável questão: até que ponto vida e obra convivem harmoniosamente? Fellini produz, com a maestria que lhe é típica, a mais bem acabada representação cinematográfica do artista - falhado, egocêntrico, vaidoso e compassivo, Guido sai das telas direto para as antologias.

domingo, maio 25

Seção TOP 5 - nº 2

TOP 5
Nº 2


5 ROMANCES PREDILETOS

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RODRIGO L.



1 - O Vermelho e o Negro, Stendhal

Minha conclusão, terminada a leitura, foi a de que o romance jamais alcançaria níveis tão elevados outra vez - não digo níveis técnicos, estéticos ou literários. Refiro-me, isso sim, às impressões e sensações particulares que um romance poderia me proporcionar. A narrativa perfeita.

2 - No Caminho de Swann, Marcel Proust

Considerando que toda lista está condicionada ao momento em que é feita, não exagero ao afirmar que, daqui a um ano, essa estará bastante modificada - restando, apenas, No Caminho de Swann. O livro ao qual sempre retorno. Com pelo menos uma leitura anual, qualquer romance se torna um enigma e uma obsessão pessoal: Proust permanece indecifrável e incompreensível em suas qualidades.

3 - Quincas Borba,
Machado de Assis

A ironia é uma forma superior e amarga de inteligência. O fato deste romance ser melhor do que Dom Casmurro e Brás Cubas passa despercebido através de todo o século XX para que, finalmente, eu o revele aqui, agora.

4 - Grande Sertão: Veredas,
João Guimarães Rosa

A mais intrincada e prazerosa leitura que o romance brasileiro pode proporcionar. Valeria só pela sintaxe perturbada, pela linguagem torta - mas como superar o aspecto profundamente humano dos personagens que, arrependidos, só parecem sofrer e temer?

5 - Os Maias, Eça de Queirós

Há que se ter muitas leituras para que se encontre uma cena final comparável à caminhada e às confidências e reflexões de Ega e Carlos no desfecho do romance - e tipos tão marcantes quanto os que povoam o Ramalhete e toda Lisboa. Tão irônico quanto Machado, Eça, contudo, é apaziguado por uma melancolia serena, mas gigantesca: a derrota superando o país, abarcando o indivíduo.



DAVI LARA


1 - O Processo, Franz Kafka

Não há nada que se compare a Kafka. Obra inacabada, um pouco impenetrável, O Processo é espantoso. Durante um tempo, num lugar perdido da memória, literatura e Kafka se confundiam para mim. Sempre serviu de refúgio. Sempre me deixa perplexo.

2 - Pais e Filhos,
Ivan Turgueniev

Desconheço outro empreendimento literário que carregue tão merecidamente o fardo da perfeição.

3 - Lolita, Vladimir Nabokov

Segundo o censo do ano passado, já passa de um a soma de desafortunados que ingressaram (ou permaneceram) no curso de letras por má-influência do russo bilíngue. Compreendam, é impossível ficar alheio a Nabokov.

4 - O Lobo da Estepe,
Hermann Hesse

Sim, eu gosto de Hermann Hesse. Não me incomoda a fama Paulo Coelho que lhe atribuem. Parece-me óbvia a discrepância dessa comparação. Devem pensar do mesmo modo todos que já tenham lido o alemão. Existem mais diferenças além de saber escrever. Falo isso porque também a temática de Hesse me agrada. Sua literatura investiga o homem. O seu envolvimento com a cultura oriental vem para somar, dá-lhe um olhar amplo e, não raramente, velado, misterioso. Gosto desses atributos.

5 - Cidades Invisiveis, Italo Calvino

Minha relação com Cidades Invisíveis está repleta de acontecimentos que extrapolam os restritamente literários, por si só satisfatórios. Tem também um encantamento, uma transcendência.



DANIEL OLIVEIRA


1 - Em busca do tempo perdido - No caminho de Swann, Marcel Proust

Na página em que a personagem principal da Recherche descreve a terrível angústia que sente pelo fato de sua mãe não lhe poder dar boa-noite naquela noite, eu decidi que gostava mais de literatura do que música. Antes, achava até ignorância pensar assim. Obs: o livro primeiro representa aqui toda a obra, que é dividida em 7 volumes.

2 - O grande Gatsby, F. Scott Fitzgerald

Fitzgerald, ao escrever a dramática história de Gatsby, não o fez pelo próprio personagem ou por um narrador onisciente, mas pelo olhar de um “simples” vizinho tão inexpressivo quanto impessoal. Eis um dos motivos da grandeza deste romance, e o principal pelo qual eu lhe dedico fervorosa admiração.

3 - O Processo, Franz Kafka

Kafka é provavelmente o autor mais imortal de todos os tempos. Não há ser humano, instituição, país ou época que não lhe abaixe a cabeça e confesse a mais despudorada fascinação pela sua obra – e eu não fujo à regra.

4 - Fome,
Knut Hamsun

Fome, do escritor norueguês, é o meu xodó literário. O alter-ego de Hamsun é o meu predileto (sim! incrível! não é o de Proust!)

5 - O retrato de Dorian Gray, Oscar Wilde

Meus colegas moedotecários certamente não porão esta singular obra no presente TOP 5, mas eu não a abandonei: para a grande maioria dos amantes de literatura da minha geração - e falo por estatística - tudo começou aqui.



EDER FERNANDES


1 - Os Maias, Eça de Queirós

Não me lembro na época de ter achado-o genial. Talvez, leitor imaturo, não me tenha debruçado mais fervorosamente diante do livro. Não importa. Durante os anos os personagens de Os Maias ainda ecoam em minha cabeça. Preciso relê-lo.

2 - Livro das Mil e uma Noites, Autor desconhecido

Se é ou não um romance, pouco importa. O fato é que a narração é forte e comove qualquer leitor. Não há que não sonhe e se delicie com as comidas, as mulheres bonitas e os lugares ditados pelo livro.

3 - Dom Casmurro,
Machado de Assis

Que Memórias Póstumas seja o seu melhor livro. Dom Casmurro, no entanto, é o meu predileto do Bruxo do Cosme Velho. Depois de Capitu toda personagem feminina é como uma nota de rodapé: só a reitera.

4 - No Caminho de Swann,
Marcel Proust

Ainda não li todos os volumes de Em Busca do Tempo Perdido. Mas não faz mal. O primeiro parágrafo deste livro é simplesmente o melhor primeiro parágrafo da literatura ocidental.

5 - São Bernardo, Graciliano Ramos

Seria Angústia, que é visivelmente melhor que São Bernardo, só que Paulo Honório é o melhor personagem de Graciliano que eu já li. Em vista disso, não posso escolher senão São Bernardo.

domingo, abril 13

Seção TOP 5 - nº 1

TOP 5
Nº 1


5 ÁLBUNS PREDILETOS


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DAVI LARA

1 - Bethânia canta Caetano, Maria Bethânia

A priori, uma coletânea não poderia constar nesta lista. Mas tendo em conta o repertório coeso (temática, estilo, cor, etc), uma refinada disposição das faixas e os arranjos espantosamente combinando entre si, essa premissa é dispensada. Ainda não houve álbum que tenha tido tanta repercussão (e que persiste) em mim, multiplicando-se em ecos nas paredes internas de meus estômagos e da minha caixa craniana. Não há momento em que eu não o escute.

2 - Tropicália, Caetano Veloso

Caetano é uma constante em meus assuntos e em minha leituras de mundo. Escuto Caetano desde criança e desde então adquiri o hábito (ou o hábito me adquiriu) de renovar o olhar sobre sua obra, fazer relarem-se outras facetas. Tropicália representa minha mais recente e feliz descoberta.

3 - Gil Luminoso, Gilberto Gil

A simples rúbrica de Gilberto Gil é motivo mais que suficiente para esse álbum estar nesta lista. Gil Luminoso é especial dentre tantos outros álbuns de Gil porque traz o foco dos arranjos e interpretações para as canções. Canções delicadas, contemplativas e com o vigor das obras impecáveis.

4 - Let it Be Naked, The Beatles

A minha descoberta dos Beatles (um marco e uma alegria pra mim) se deu por esse álbum. Mas dentre tantos outros mais bem acabados, se os próprios Beatles não ostentam especial orgulho pelo Let it Be, pra mim ele revela sem maquiagens e esplendidamente aquilo que mais sei gostar na música: boas canções.

5 - Acabou Chorare, Novos Baianos

Por ter conquistado minha confiança aos poucos, por representar uma cultura nacional e baiana e me dar algum modo de identificação com o lugar em que vivo. Enfim, porque eu gosto de Novos Baianos.



EDER FERNANDES

1 - Chega de Saudade, João Gilberto

Se João Gilberto é, para mim, o melhor intérprete que o planeta Terra já concebeu, e se a própria música Chega de Saudade é a minha predileta dentre todas já compostas, logo não seria surpresa nenhuma o disco encabeçar essa lista tão difícil.

2 - Abbey Road, The Beatles

Os melhores de todos os tempos fizeram em seu disco de despedida o que mais sabem fazer: emocionar gerações e gerações.

3 - Coisas, Moacir Santos

Fiquei horas indeciso entre três discos de jazz: Kind of Blue, do Miles; My Favorite Things, do Coltrane; ou Coisas, do Moacir. Escolhi Moacir por um simples motivo: não sei.

4 - Blood on the Tracks, Bob Dylan

O disco mais amargo da música popular. Sendo eu um sujeito amargurado, acho que combinamos muitíssimo bem.

5 - Gil Luminoso, Gilberto Gil

Só uma queixa: a falta de Se Eu Quiser Falar Com Deus no repertório. No mais, irretocável. Um registro sonoro, um documento de uma época boa para mim.



RODRIGO L.

1 - A Love Supreme, John Coltrane

O mais próximo do divino que um homem pode chegar através de um instrumento de sopro.

2 - Bringing it all backhome, Bob Dylan

Como letrista, Dylan jamais voltaria a alcançar o nível de Gates Of Eden ou It's AlRight, Ma. Num momento decisivo de sua carreira, encontrou a melhor maneira de dizer adeus ao folk tradicional (It's All Over Now, Baby Blue) e a mais pungente forma de adentrar o mundo da música elétrica - como que acompanhado duma cavalaria bêbada, grava Subterranean Homesick Blues, Maggie's Farm e outros tantos clássicos do blues.

3 - A Tábua de Esmeralda, Jorge Ben

Trata-se, basicamente, da maior invenção de um cidadão brasileiro. Desde que o escutei pela primeira vez, persisto, sem sucesso, numa busca ingrata por um disco que junte, ao menos num nível parecido, tanta harmonia, balanço e melodia (e que se utilize de cordas tão atrozes). Com tudo na medida certa, Jorge Ben saiu gravando Os Alquimistas Estão Chegando, Zumbi, Menina Mulher da Pele Preta, Brother, a absurda Hermes Trimegisto E Sua Celeste Tábua e mais - uma sequência de doze faixas que talvez só tenha sido perseguida de perto por um Tim Maia convertido.

4 - Cartas Catingueiras, Elomar

Conheço gente que tem orgulho de ser nordestino. Por mais que soe estranha a idéia de se orgulhar por algo absolutamente fortuito, pelo que não se possui mérito algum, é muito provável que uma audição de Cartas Catingueiras traga certa vaidade a tais pessoas. A mim, porém, esta pequena obra-prima da canção sertaneja só me lembra que ser nordestino é uma condenação - por mais citadinos que nos tornemos com o correr dos anos, há sempre a nostalgia do mato, do lampião e da viola. Espero o dia em que alguém a cavalo, nomeado Donairoso Profeta do Óbvio, chegará à praça e afirmará que o homem responsável pela "Incelença Para um Poeta Morto" é o maior compositor brasileiro vivo.

5 - Cartola (1974), Cartola

O mais sublime e melancólico samba já feito. Dentro de uma tradição repleta de grandes letristas (Noel Rosa e Nelson Cavaquinho - só para citar meus preferidos) e de grandes musicistas (outra vez Noel, Paulinho, Adoniran, etc.) Cartola consegue se sobressair como o maior: o sentimento que percorre Disfarça e Chora, Sim e, sobretudo, Acontece (que considero, ao lado de Detalhes, a mais bela canção já escrita em língua portuguesa) é qualquer coisa universal, milenar - reconhecível em qualquer canto do globo e em qualquer época, Cartola é o mais local e universal dos músicos brasileiros. Uma contundente resposta a quem alardeia a alegria tupiniquim como uma entidade natural, imutável e imbatível.



DANIEL OLIVEIRA

1 - Songs, Leonard Cohen

Ainda bem que Cohen não nasceu nos EUA, já que na condição de canadense ele é o maior cantor/compositor de seu país – e que Neil Young vá às favas. Sendo assim, não fica à sombra de Bob Dylan, estadunidense. Leonard Cohen é, para mim, o exemplo máximo de integridade e condensação numa letra de música nos aspectos sonoro, semântico, lingüístico e espiritual. Quanto às canções, donas de melodias irrepreensíveis. No tocante à voz, comparável à de Deus, se esse existir.

2 - A banda do Zé Pretinho, Jorge Ben

A música, indiscutivelmente a mais sensorial das artes, desperta, sim, reações fisiológicas. E Jorge Ben é a prova maior disso – você sente na medula. Só Amante Amado, uma das faixas, já valeria uns 5 álbuns (e ainda bem que Jorge Ben tem dezenas de álbuns, porque excluir cinco deles não é fácil). Se algum brasileiro extraiu mais da palavra portuguesa que Jorge Ben Jor, ele não existe nesta dimensão.

3 - Trilhos Urbanos, Caetano Veloso

Assim como na Inglaterra e nos EUA todo e qualquer amante da música era obrigado por lei (não é mentira) a indicar um beatle favorito (o meu é Paul), aqui no Brasil nos sentimos no direito e no dever de escolher um álbum favorito de Caetano Veloso. Eu achava que seria impossível pôr algum disco à frente do Tropicália (ainda mais com Clarice e Onde Andarás), mas a união de composições como Terra, O Homem Velho, Odara e outros, além da faixa-título, me fizeram mudar de idéia. Talvez por ser focado bastante apenas em voz e violão, o álbum goza de prestígio imerecido (um prestígio baixíssimo, note-se).

4 - The Velvet Underground and Nico, The Velvet Underground

A morte mais insólita do rock é a de Nico: andava de bicicleta, tomou uma queda e morreu. A carreira musical mais insólita do rock é a de Lou Reed: composições geniais na banda, mas na extensa carreira solo apenas um CD que preste (o Transformer). As vozes dos cantores são insólitas; os riffs são insólitos; as letras também; e as linhas de baixo; e a capa do disco; tudo – e um álbum perfeitamente perfeito.

5 - Mingus Ah Um, Charles Mingus

Sempre considerei Mingus Ah Um meu CD predileto de jazz, embora por muito pouco (ganhando milimetricamente de algum de Miles Davis ou Coltrane). Mas me enganei: ouvindo novamente, cheguei à conclusão de que se me obrigassem, para ser bem trágico, a sacrificar metade da obra de Davis em prol deste Ah Um, eu não hesitaria nem um pouco.